Álcool e Drogas – usos e abusos

3 mar , 2019 Psicologia

Uma droga psicoativa é qualquer substância química, natural ou sintética capaz de alterar o estado psíquico do usuário e o funcionamento do Sistema Nervoso Central. É a permanência do uso dessa substância que pode gerar  o abuso e o desenvolvimento doença. A dependência química não é simplesmente vício ou característica de alguém sem força de vontade para parar; é uma doença.

A cultura social e familiar são fatores que propiciam e podem introduzir precocemente os sujeitos nessa relação com álcool, cigarros e outras drogas como maconha, crack e cocaína. Algumas décadas atrás era prática socialmente sustentada o ato de molhar a chupeta do bebê na espuma da cerveja, lembra? Os motivos que levam a dependência são vários mas existem três fatores que, ao interagirem, podem gerar a Dependência Química: o indivíduo e sua subjetividade, o meio a droga em si. Há uma grande influência genética e há também a questão relacional apontando que parentes de alcoolistas, por exemplo, tem risco de 3 a 4 vezes maior de desenvolver problemas com álcool.

O álcool, continuando nesse exemplo, precisa de mais ou menos 15 anos de ingestão para começar a dar sérios problemas. Nesse tempo, a pessoa já passou pela faculdade, constitui família ou se estruturou de algum modo, arrumou emprego e conquistou bens materiais. Esses fatores são protetivos no avanço da doença e que aliada a estimulação sócio-cultural, dificultam a devida intervenção e tratamento ou até mesmo a adoção de medidas preventivas. Já drogas como cocaína e crack devastam em 5 anos de uso, por exemplo, causando uma destruição mais rápida não havendo oportunidade para desenvolver uma estrutura de vida que possa ser um suporte e um auxílio eficaz no tratamento.

As fases da doença se dividem em Inicial, Intermediária e Final. Vejamos como os manuais de saúde caracterizam as etapas dessa doença:

Inicial: Alta tolerância. Não existem maiores prejuízos ou danos nas áreas física e emocional do indivíduo. O relacionamento com a família não apresenta maiores problemas, seu desempenho profissional, escolar não estão afetados. O uso de pouca quantidade já leva o indivíduo a sensação de prazer.

Intermediária: Começa a aumentar a quantidade de álcool ou outras drogas para obter o efeito desejado. Se o indivíduo interrompe abruptamente o uso do álcool ou outras drogas, ele tem sofrimento físico e emocional. É o que chamamos “Síndrome da Abstinência”. Nesta fase a doença já está caracterizada como tal e, mesmo que o indivíduo queira controlar o uso ou parar de usar, o sofrimento físico causado pela abstinência, faz com que esse compromisso seja quase impossível de ser mantido. Ele precisa de ajuda.

Final: É a fase do isolamento. O indivíduo isola-se da família e dos amigos para poder beber ou usar a droga. Abandona os estudos, deixa de progredir no trabalho, ou até perde o emprego. Suas perdas e prejuízos são bem significativos. Sente-se irritado, tem atitudes agressivas, não sente mais prazer nem alegria. Está sempre depressivo e só tem sofrimento. Se a doença não for detida ele morrerá precocemente.

Esses são os principais motivos para uso do álcool e outras drogas:

A dependência química é, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) uma síndrome, isto é, um conjunto de  fenômenos fisiológicos, comportamentais e cognitivos, no qual, o uso de uma substância alcança uma importância maior para um indivíduo, que outros comportamentos, que antes tinham maior valor. 

Os sintomas dessa doença são: obsessão (pensamento constante na droga de escolha), compulsão(desejo e ingestão/consumo da droga)  e a perda de controle que é o que caracteriza principalmente a Dependência Química pois o indivíduo não consegue parar.

A partir da primeira “dose” o indivíduo não consegue mais controlar o uso da substância e, com a progressão da doença, ele começa a adaptar sua vida ao uso da droga, não conseguindo executar as tarefas mais simples sem estar sob o efeito da substância. E apesar das evidências nocivas o indivíduo continua usando a substância com dificuldade para controlar o consumo, seja a hora de começar, de parar ou o próprio controle da quantidade consumida.

A prevenção acontece em três níveis: primário, quando não há uso e apontam-se os risco; secundário, onde há uso e se faz necessário o tratamento e terciário, quando já está em estágio avançado e a recomendação máxima é a internação. 

Não deixe chegar em estágio avançado para procurar ajuda, a prevenção é o melhor remédio sempre. Você lembra das razões para uso listadas anteriormente? Todas elas podem ser cuidadas e tratadas de outros modos: psicoterapia, estabelecimento de relações saudáveis, práticas de vida que promovam autoconhecimento entre outros. A diversão, o lazer, o relaxamento são aspectos fundamentais para uma vida saudável e às vezes existem alguns entraves emocionais para isso como timidez, insegurança, baixa autoestima, sentimento de inadequação…

Alguns encontram no álcool e em outras drogas um recurso para superar essas dificuldades mas certamente não é o melhor caminho. O uso nocivo, o padrão disfuncional de ingesta dessas substâncias acarreta em problemas interpessoais, legais, psicológicos e clínicos. Se você age assim ou conhece alguém com dificuldade de estabelecer o uso eventual dessas substâncias químicas, ou até mesmo que já esteja num quadro de uso abusivo  com prejuízos, procure um profissional psi (psicólogo ou psiquiatra) pois o alcoolismo e qualquer outra adicção são doenças que precisam de tratamento especializado.

Divirta-se com responsabilidade.

Seja cuidadoso/a com os exageros, excessos e abusos.

Entenda os seus limites e se respeite.

Com carinho,

 

 


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