Criatividade!

17 nov , 2018 Psicologia

Hoje é o dia da criatividade! Você sabia que ela pode ser um excelente recurso para lidar com nossas dificuldades existenciais e que ela não é algo exclusivo dos artistas? No texto de hoje vamos conversar um pouco sobre esse tema e descobrir outras funções que a criatividade pode ter. Vamos lá?!

Você se considera criativo ou achava que isso é coisa de quem mexe com arte? Normalmente quando falamos de criatividade imaginamos logo pinturas, esculturas e artistas, não é mesmo? Como se ela fosse um dom e tivesse uma utilidade exclusivamente estética e reservada para poucas pessoas abençoadas. Ainda bem que não é assim! Eu, você -e até mesmo computadores podemos apresentar essa característica ou desenvolvê-la enquanto habilidade .

Falando sobre computadores, eles apresentam uma criatividade chamada de criatividade artificial e esse termo refere-se a competência que os mecanismos da máquina tem de apresentar soluções inovadoras diante dos diversos problemas que se apresentem ao sistema. Isso se dá pela observação da ação humana  em seus sistemas e é a partir do desenvolvimento desses modelos de funcionamento que os  computadores podem ser criativos; esse tipo de capacidade de criação é chamada de criatividade computacional e compõe as inovações tecnológicas.

Imaginemos que seu celular tenha percebido algum problema, alguma coisa esquisita no site que você tenta acessar, no aplicativo que você quer usar, ou na hora postar algum textão no facebook. O que ele faz? Quase que mágica e automaticamente ele reconhece o erro e se mobiliza para corrigi-lo recorrendo a um padrão operacional diferente daquele que estava acostumado a acessar sempre.

E nós? Quando algum problema surge, quando algo inesperado acontece nós, muito sabiamente, acionamos nossos melhores e mais adequados recursos emocionais e cognitivos para superarmos aquela situação e seguirmos inabaláveis ou…. dá um bug  no coração e tela preta dentro da cabeça?!

Embora o celular seja previamente programado para corrigir, nós, pelo nosso baixo nível de criatividade e autoconhecimento, muitas vezes não conseguimos dar uma resposta adequada à situação que surge. Uma pergunta, uma entrevista de emprego, uma apresentação de trabalho na faculdade ou trocar uma mercadoria na loja/pedir uma informação! Às vezes, não conseguimos nos adaptar saudavelmente: mãos suadas, rosto vermelho, a voz treme (isso se não sumir), boca seca, branco mental e placas vermelhas pelo corpo. Que bom seria se tivéssemos f5!

Se entendermos que a criatividade pode ser definida como a capacidade de produzir ideias, respostas, descobertas e invenções novas diante das questões que se apresentam, fica mais compreensível a sua importância em nossas vidas.

Originalidade e utilidade são as características principais desse movimento e o comportamento criativo vai muito além de um lampejo de genialidade que surge do nada. A criatividade pode ser aprendida e abarca todo o nosso entorno e as relações que mantemos. Rollo May, um importante psicólogo, disse  a seguinte frase:

Criatividade, assim, não acontece espontaneamente, mas demonstra-se no decorrer das interações do sujeito com o meio, e nos efeitos que estas interações tem sobre o próprio sujeito e grupos sociais dos quais faz parte. Grande parte da criatividade humana se desenvolve nos contextos onde há um o contato fértil com o que está acontecendo que pode proporcionar um ambiente criativo desde que outras variáveis também estejam em jogo. Então supor que a criatividade é algo que a pessoa já nasce com ela ou não tem, é um equívoco! Abaixo, comento alguns outros conceitos errados que temos acerca da criatividade.

 

Além desses mitos listados na imagem também podemos adicionar alguns outros. Dizer que essa característica é o oposto da racionalidade, que o momento criativo é sempre leve e muito prazeroso, que no ambiente profissional não precisamos ser criativos, que ela se restringe a artistas  ou mulheres, sendo sempre um talento que poucas pessoas tem são outras conclusões equivocadas sobre a criatividade.

A Psicologia passou a se interessar mais fortemente pela criatividade nos anos 50 e entendeu que ela é composta por quatro elementos: situação, processo, produto e o último – e principal – componente, é a pessoa ou seja: eu e você! E é óbvio que é esse elemento o que mais nos interessa.

O produto da criatividade pode ser uma ideia, um projeto, uma teoria, um objeto ou qualquer solução nova ou diferente para um problema já existente. Você gostaria de ser mais criativo/a?

Algumas atitudes podem nos ajudar a desenvolver a criatividade: estar aberto/a à experiência que acontece, maior sensibilidade à novos conceitos, opiniões, percepções e hipóteses; sintonia com o momento presente, permitindo adaptação e organização contínua de sua personalidade e confiança em seu organismo como meio de comportar-se satisfatoriamente em cada momento de sua vida. Repito: a criatividade pode ser estimulada e desenvolvida. Basta que tenhamos um novo olhar sobre nós e nossas possibilidades 😉

A criatividade nos auxilia a descobrir outros modos de lidar com o que está acontecendo permitindo que encontremos formas diferentes de agir, para que possamos mudar a situação. Ela é o processo pelo qual desenvolvemos essa nova forma de ser e enxergar as situações, o que inevitavelmente nos fará ter novas percepções.

Uma vez li uma frase que dizia “Faz o que sempre fazes e terás o que sempre tem” (tem essa aqui também); e fiquei pensando nos cenários de problemas e dificuldades, nos comportamentos e atitudes que mantemos… Ter o mesmo comportamento diante dessas questões nos dará as mesmas respostas, certo? E nesse caso, essas repostas vão gerar em nós bastante sofrimento, sendo que é a nossa própria atitude engessada que contribui para isso, alimentando o problema. Sad but true. Que mundo você cria a partir de quem você é? Quais possibilidades você cria para ser quem você quer ser e levar a vida que merece? 

Toda vez que você precisa fazer uma negociação no trabalho, pedir algo aos seus pais, propor uma alteração a algum cliente, paquerar alguém, fazer outras amizades…você nunca consegue o desfecho que desejava. E, se o resultado se repete mesmo quando as pessoas envolvidas ou a situação em questão muda, muito provavelmente é a sua forma de ver e agir que tem garantido o resultado insatisfatório. Não temos o botão de atualizar que reprogramaria  nossa ação e em um segundo tudo seguiria normalmente… Mas somos seres humanos e temos a capacidade de agir diferente. O quão você acredita em você e nas suas capacidades? Está disposto a agir diferente e ter as respostas que precisa ou vai se contentar em não conseguir, só para não ter que mudar? É isso que você merece?

É necessário enxergar diferente e ver por um novo ângulo. Para isso precisamos nos mexer, mudar nosso ponto de vista, experimentar coisas novas, fazer contato com situações fora da nossa rotina e dar aquele sacode na mente e nas emoções! Podemos tomar atitudes simples, como ir almoçar num lugar diferente ou fazer um novo trajeto para ir a um determinado lugar que já estamos acostumados/as.

Sair um pouco da rotina e estimular a diversificação de experiências são excelentes combustíveis para aquecer o motor criativo. Sair do automático e do habitual tem um papel fundamental no processo criativo, promovendo flexibilidade cognitiva e emocional.

Em terapia, nós também trabalhamos no sentido de que o paciente busque e encontre os seus métodos criativos, as suas novas respostas para as situações que surgem no dia-a-dia. Por acreditar que o ser humano tem a capacidade de se transformar e evoluir, consideramos, enquanto psicólogos, que a criatividade é um componente importante nesse desenvolvimento. É possível se reinventar e estabelecer novas percepções acerca de si próprio e de sua situação. Topa?

Com carinho,


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