Medicação & Psicoterapia

19 abr , 2019 Psicologia

Você sabe a diferença entre Psicologia e Psiquiatria? É bastante comum uma certa  confusão entre essas duas áreas da ciência mas a principal diferença – além da faculdade não ser é mesma – refere-se a administração de medicamentos. Apesar de serem áreas diferentes elas estão em constante contato e se complementam. Vamos entender um pouco quais as semelhanças e quais são as diferenças entre a Psiquiatria e a Psicologia?

A psiquiatria é uma área da medicina assim como a cardiologia e a pediatria, por exemplo. Isso significa que o profissional chamado psiquiatra é formado em medicina, enquanto o psicólogo fez faculdade de psicologia por, no mínimo, 5 anos.

Além da faculdade ser diferente, o psicólogo tem atribuições que o psiquiatra não tem, do mesmo modo que o psiquiatra faz coisas que o psicólogo não faz sendo a intervenção farmacológica a maior diferença. O psiquiatra pode receitar medicamentos enquanto o psicólogo não pode prescrever remédios de qualquer ordem.

De modo superficial, podemos dizer que ambas áreas lidam com as emoções humanas mas cada um por um viés. A intervenção do psiquiatra é química; os remédios receitados iram reestabelecer, organizar e reparar as interações neuroquímicas do seu corpo físico. Seja através de um ajuste entre os neurotransmissores e seus receptores ou de uma balanceamento hormonal.

O profissional da psicologia interessa-se pela sua subjetividade e singularidade, ou seja, ele atua na compreensão de saber quem você é existencial e emocionalmente. Ele olha para as escolhas que você fez, para o seu jeito se ser e estar na vida ( a famosa personalidade),  suas relações, sua autoestima e etc. Nós procuramos entender quem você é, o psiquiatra vai buscar entender o desequilíbrio entre os grupos de neurotransmissores como a a serotonina e dopamina, por exemplo, que agem no seu corpo.

Hoje, sabe-se que mente e corpo não são coisas separadas então nada mais lógico que, em algum momento essas duas áreas se aproximem. Se você faz psicoterapia (que é a atividade do psicólogo) pode ser que você precise de uma intervenção medicamentosa – mas não obrigatoriamente, não em todos os casos – entretanto uma coisa é certa: se você precisa do suporte dos remédios, você também precisa da intervenção psicológica. Os remédios atuam quimicamente no seu corpo mas eles não saberão dizer quais as origens da sua ansiedade ou o que mantém a sua depressão e nem te dirão porque é tão difícil acreditar nos elogios que você recebe, por exemplo. Os remédios são uma parte mas não são tudo e nem darão conta da sua existência total.

A psicoterapia do mesmo modo, não tem condições de ajustar o seu corpo biológico, fisiológico e etc. É o saber da medicina que tem a capacidade de olhar para o seu Sistema Nervoso e prescrever quais remédio agem nas proteínas , nos aminoácidos e nas enzimas. Trata-se de uma ação química e farmacológica que acontece após a descoberta da base biológica da depressão, por exemplo.

A jornalista Nyle Ferrari compartilhou a sua história com a mediação psiquiátrica e a psicoterapia de um modo que me tocou bastante. Ela fez um depoimento muito singelo da sua experiencia de cuidado da sua própria saúde mental que eu compartilho a seguir para finalizar esse post:

Convivo com depressão e ansiedade há muito tempo, mas no ano passado vi tudo desmoronar. tava pronta pra entregar os pontos, sem esperanças de que um dia pudesse ficar bem. graças à minha psicóloga e ao apoio de pessoas amadas, usei o 1% de bateria que me restava pra buscar um psiquiatra – a situação tava muito além da minha força de vontade, inexistente. essa decisão não veio sem muita culpa e muito medo: eu, toda natureba, tomar remédio psiquiátrico? será que vou ficar refém disso pra sempre? e se não funcionar?  

Fui diagnosticada com Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) e iniciei a minha saga com a medicação. comecei com dois remédios diferentes, que pioraram meu estado mental e zeraram minha libido. troquei de psiquiatra e de remédio. o começo foi um pouquinho turbulento mas passados alguns meses, os efeitos colaterais foram embora e eu finalmente tô estável!

Alguns aprendizados importantes: 1. doenças da cabeça são tão doenças quanto as do corpo. nem tudo na vida se resolve com suco verde, gratidão e yoga. às vezes remédios psiquiátricos são necessários e deixar de tomar por conta de crença x ou y é uma autonegligência enorme, sabe? 2. medicação não transforma você em outra pessoa e também não faz milagre, por isso é tão importante fazer terapia. as duas coisas juntas vão te ajudar a ficar mais estável, pensar e agir com mais consciência e clareza. 2. paciência é e s s e n c i a l durante o tratamento. remédios precisam de tempo pra agir. 3. quem deixa de tomar remédio ou vacina por ser adepto do veganismo ou naturalismo não tá fazendo isso pela causa. o nome disso é ignorância. 4. nada adianta um corpo livre de ~venenos da indústria farmacêutica~ pra viver mais se essa vida prolongada for de sofrimento e infelicidade. eu quero e mereço gostar de viver. e eu nem sei explicar o que significa pra mim ter voltado a gostar de viver. apenas desejo força pra quem tá no fundinho do poço. é difícil, pode demorar, mas dá pra sair dele sim.

Os grifos são meus e para ler no post original, é só clicar aqui.

Com carinho,


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