Nem bem, nem mal.

29 abr , 2021 Psicologia

Como você está passado mais de um ano da pandemia? Recentemente saiu na folha de São Paulo uma artigo do The New York Times com excelente informações sobre o nosso estado emocional na pandemia. Clica aí em baixa para ler!

Ao longo da pandemia, os especialistas passaram a notar impactos na saúde mental da população, em meio a tendências de ansiedade e depressão. No entanto, mesmo os que não integram esses quadros estão relatando falta de alegria e de objetivos. Estagnação e vazio. Um verdadeiro “meh”. Os norte-americanos, então, criaram um termo para isso: languishing, que na tradução literal significa definhamento.

Basicamente, é como se você estivesse olhando para sua vida através de um pára-brisa embaçado. E essa pode ser a emoção dominante de 2021. O que acontece é que muitas pessoas ficaram despreparadas quando o medo intenso e a dor que se manifestaram no ano passado tiveram uma queda.

Sob o ponto de vista dos especialistas, nos primeiros dias incertos da pandemia, o sistema de detecção de ameaças do cérebro (alocado na região da amígdala cerebelosa) ficou em alerta máximo. Mas conforme os métodos de prevenção passaram a fazer parte da rotina, como o uso de máscara e álcool em gel, o grande estado de alerta acabou dando lugar para essa sensação “inexplicável” de vazio.

O que é o languishing?

Languishing é o vazio entre a depressão e o bem-estar. A pessoa não tem sintomas de doença mental, mas também não é um exemplo de saúde mental. Não está funcionando com capacidade total. Esse sentimento entorpece a motivação, atrapalha a capacidade de se concentrar e triplica as chances de reduzir o trabalho. Parece ser mais comum do que a depressão grave e, de certa forma, pode ser um fator de risco maior para doenças mentais.

Quem trouxe esse termo à tona pela primeira vez foi um sociólogo chamado Corey Keyes, que ficou surpreso ao ver que muitas pessoas que não estavam deprimidas também não estavam felizes. Trata-se de uma sensação que culmina em maior probabilidade de depressão grave na próxima década, segundo a pesquisa. Parte do perigo é que, quando o languishing está acontecendo, a pessoa não consegue ver o próprio sofrimento, e acaba não buscando ajuda, ou tomando qualquer providência para se ajudar.

Para os especialistas da psicologia e da psiquiatria, uma estratégia para controlar as emoções é, primeiro de tudo, definir um nome para elas. Ainda há muito que aprender sobre o que causa o languishing e como curá-lo, mas dar um nome pode ser um primeiro passo.

Embora encontrar novos desafios, experiências agradáveis ​​e trabalho significativo sejam os possíveis remédios para o languishing, é difícil encontrar gatilhos positivos quando você simplesmente não consegue se concentrar, ainda mais quando se segue uma rotina onde a atenção é dividida o tempo todo, seja com crianças, colegas de trabalho, familiares, chefes, etc.

A ideia dos especialistas, tendo em mente esse novo termo, seria a definição de limites. Tirar um tempo para si mesmo sem essas interrupções, com experiências que captam toda a atenção.

Ainda vivemos em um mundo que normaliza os desafios da saúde física, mas estigmatiza os desafios da saúde mental. Enquanto nos dirigimos para uma nova realidade pós-pandemia, é hora de repensar nossa compreensão da saúde mental e do bem-estar.

(conteúdo original no The New York Times)


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