Os três casamentos

8 abr , 2020 Psicologia

Com quem (ou o que) são os seus principais relacionamentos? O poeta e escritor David Whyte escreveu um livro chamado Os Três Casamentos (2009) onde  ele desenvolve um raciocínio todo baseado na ideia de que existem três relacionamentos fundamentais na nossa vida e que todos eles se assemelham ao casamento: o relacionamento conosco, com os outros e com o nosso trabalho.

Faz sentido para você pensar essas áreas da vida traçando um paralelo com a noção clássica de um casamento? Tradicionalmente um casamento é visto como uma relação muito importante da nossa vida onde devemos depositar nossa dedicação, compromisso, respeito, afeto, devoção e uma série de investimento das mais variadas ordens: dinheiro, tempo e atenção.

Nas redes sociais é comum a expressão “em um relacionamento sério com” para se referir a namoros. Vamos pensar por aí… Você está em um relacionamento sério com você? Com as pessoas queridas que escolhe manter na sua vida? E com o seu trabalho?

Você acha que dá para colocar essas três partes da vida no mesmo patamar entendendo que o relacionamento consigo é tão importante quanto o relacionamento com os outros e que este por sua vez é tão importante quanto o seu trabalho?

Na sociedade atual é indiscutível o quanto somos centrados no trabalho. Nossa percepção de termos valor ou não; de sermos produtivos ou não tem relação direta com o trabalho (e o dinheiro lógico!). Devido a COVID-19 estamos num contexto de adaptação e reconfiguração das formas de trabalho e curiosamente, a nossa relação conosco e com as as  outras pessoas também.

Como psicóloga, eu entendo que a relação que temos conosco é a mais primordial entre essas citadas por David Whyte. As escolhas que fazemos derivam de como nos percebemos e do valor que nos atribuímos; então mediante isso mantemos determinadas pessoas em nossas vidas e escolhemos determinado trabalho para exercer. Todas são importantes e estruturam a nossa vidas, não tenho dúvidas mas sou inclinada a pensar que o trabalho o relacionamento com os outros vem depois do relacionamento que temos conosco.

Se inspire nesses exemplos para fazer uma breve avaliação da sua vida:

Que vida eu quero levar? Quem quero ao meu lado? Por que escolhi essa profissão? O que me sustenta num trabalho precário? Por que sonho com tal posição dentro de uma empresa? Por que me esforço para manter os amigos da faculdade na minha vida e não faço questão de desenvolver um relacionamento mais íntimo com o pessoal do trabalho?

Todas essas questões existenciais partem de nós, do relacionamento que temos conosco. O autor defende que devemos dar a mesma importância a essas três áreas mas é tão difícil conciliar com a mesma qualidade ou dedicação esses três casamentos, concorda? A maioria das pessoas com certeza gasta mais tempo com trabalho e é logico que isso reflete nas demais áreas e, em contrapartida, coloca no trabalho a responsabilidade de nos sentirmos felizes, produtivos e realizados conforme conversamos lá em cima.

O convite feito para darmos aos outros dois casamentos o mesmo valor que damos ao trabalho é uma sacada muito importante. Uma vida saudável e equilibrada precisar cuidar com justiça dessas três áreas. Leia os votos de um casamento tradicional e pense: a qual relacionamento de minha vida tenho feito essas juras?

 

Faça uma avaliação da sua vida. Pense nos momentos em que você se sentiu mais feliz, produtivo ou realizado e avalie aonde eles se enquadram ou em que contextos aconteceram: se com você, se com os outros ou se relacionado ao trabalho. Pode até acontecer de você não conseguir separar tão rigorosamente essas percepções.

Reflita um pouco mais: o que mais importa para você nesse momento? Seu trabalho, suas relações com os outros ou o relacionamento que estabelece consigo? O que te faz elencar isso como  mais importante? Você tem cultivado e investido nessa relação? De que maneira ela pode ser cada vez mais especial, mais  presente e digna da sua atenção?

E as outras áreas? Dá pra melhorar algo? Gostaria de ressignificar alguma coisa?

Faz diferença se pensarmos o valor dessas áreas antes da quarentena, durante a quarentena e depois dela?

Reflita sobre esses aspectos e procure cultivar hoje as mudanças que você percebeu que podem te fazer mais felizes. O momento é delicado então não se negligencie, não deixe para lá o que é importante para você, ok?

Se quiser aproveitar a quarentena para trabalhar o autoconhecimento, eu desenvolvi um e-book para te ajudar nisso. É só clicar aqui.

 

Com Carinho,


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