Procrastinação: se não é preguiça, é o que?

18 ago , 2019 Psicologia

Você já ouviu dizer que a motivação leva à ação? Se essa frase faz sentido, o que nos deixa na procrastinação? Qual a dificuldade em agir e fazer o que é preciso? Nos post de hoje continuaremos a falar sobre a famigerada procrastinação.

Mais de um ano depois, cá estou eu outra vez para falar desse assunto.  Em junho do ano passado saiu um texto aqui no site sobre esse tema que eu recomendo que você leia antes de prosseguir (clica aqui). Nele eu explico de que ponto de vista eu entendo a procrastinação, vou copiar uma partezinha aqui para retomar:

Deixar sempre para depois pode ser reflexo de um comportamento extremamente autocrítico e censurador, onde nada nunca estará bom o suficiente. Você já havia pensado a procrastinação por esse lado? Ou pode também estar baseada numa rebeldia dissimulada que, insatisfeita com as obrigações e se recusando a fazer as coisas que lhe pedem, aparece como procrastinação. Você se identifica com algum desses dois casos? Faça uma reflexão e analise o modo como você se relaciona e lida com suas obrigações e necessidades.

Esses exemplos que citei são apenas dois modos particulares que a procrastinação pode surgir, cada pessoa teria, dentro da própria existência, justificativas para fazer da procrastinação um atalho, um caminho para evitar um problema maior. Insatisfação, pouca fé em si mesmo, fuga, medos  e etc seriam mais exemplos que eu poderia usar.

No texto de hoje continuaremos falando sobre os aspectos pessoais da procrastinação.

Quando temos um bilhão de coisas para fazer e não fazemos nada ou então quando estamos fazendo algo que não tem nada a ver com as tarefas que precisam ser feitas – que deveriam ser priorizadas-  precisamos nos dar conta de algumas coisas:

  1. PERCEBA que está enrolando
  2. AVALIE se é desculpa esfarrapada mesmo e
  3. ENTENDA o que está gerando a procrastinação

Esses três passos foram muito bem explicados pela psiquiatra Marcela Vianna. Ela comenta o seguinte:

1.PERCEBA que está enrolando: É fundamental  que a gente se dê conta de que estamos enrolando. “Observe se você não está inventando um monete de desculpinha ou pseudoprioridades enquanto deixa algo importante de  lado”. Fique atento para o conteúdo dos seus pensamentos que geralmente envolvem um DEVER FAZER e um MAS… “Eu deveria estar fazendo mas…”

2. AVALIE se é desculpa esfarrapada mesmo: Veja se é mesmo procrastinação ou se realmente não são outras necessidade que você não deu conta e que agora surgem como impedimento. “Exemplo: você está super cansada (o) e simplesmente não está com capacidade de focar em tarefa alguma. Vá descansar!Cuidado! Essa é a etapa em que os pensamentos autorizadores vem com força e tem que estar bem alinhado com a auto-observação para não cair na deles. Seja honesto consigo mesmo nessa autoavaliação.”

3.ENTENDA o que está gerando a procrastinação: Os motivos podem ter duas origens: você ou o perfil da atividade. “Tarefas chatas e trabalhosas tendem a ser evitadas. Porém, às vezes uma é interessante e relativamente nem tão complexa, mas tem um grande valor agregado para você. Pode ser preparar uma apresentação, um relatório do trabalho, escrever uma mensagem para alguém especial, inúmeras coisas…”

Às vezes confundimos a procrastinação com preguiça, não é? Pode até ser mas, como vimos no primeiro texto, existe uma estreita relação com a sua autocrítica e desejo de perfeição. Os procrastinadores que estão sempre em apuros ou até mesmo que paralisam, são pessoas excessivamente autocríticas e perfeccionistas. “Se eu acredito que não posso cometer nenhuma falha, que ter qualquer defeitinho no resultado vai desqualificar todo o meu trabalho, que se não for pra ficar perfeito é melhor nem começar… meu cérebro vai entender o recado e vai se encontrar lindamente na lógica <se não tem nada feito, não serei julgado>.”

Pessoas que experimentam ansiedade também podem ser adeptas da procrastinação. “Se a cabeça está a mil com uma chuva de preocupações, medos, compromissos, pendências, angústias e mais um trem de pensamentos excessivos, a chance de paralisar é alta. Sobra pouca energia mental para efetivamente executar qualquer coisa.”

Outro comportamento muito comum é a evitação que funciona para aliviar esse incômodos e e garante que não iremos falhar. ‘A evitação é uma estratégia também para quando há qualquer outro desconforto emocional para o qual a pessoa não sente capacitada para lidar (seja resolver, seja tolerar). Essa evitação pode vir pela paralisação mas também pode vir com se ocupar loucamente com outras atividades.’

Dicas para te ajudar

Antes das dicas é preciso reafirmar que não tem UMA receita que vai dar certo para todo mundo. Afinal, cada um é cada um e vive seus dilemas, cobranças e ansiedade relacionados a sua própria vida.

De uma coisa você não vai poder fugir mais: vai ter que começar a fazer.

“Se a questão é estresse, ansiedade e angústia… faça uma pausa. Respire fundo, beba água e se gostar de meditar, medite. Se a questão é autocrítica e perfeccionismo, assimila bem essa frase: Feito é melhor que o perfeito não feito. O ótimo é inimigo do bom!”

Você sabe o porquê de precisar fazer isso? Faz sentido para você? O que não faz sentido é querer fazer uma tarefa chata com um estado de espírito mega feliz e empolgado. “Se o desenho da nossa vida está alinhado com nossos valores, tudo fica mais fácil.”Aceite o tédio, o desinteresse a falta de motivação. Se estiver evidente para você as razões dessa tarefa e se o objetivo final for algo que te satisfaça, vai ficar minimamente mais suportável fazer a parte chata.

“Defina suas prioridades, estabeleça um método de organização pessoal e tente cumprir seus combinados. O melhor método é aquele que funciona para você! Não adianta fazer mil listas, ter mil agendas e canetas coloridas se você não usar. Se você já tentou tudo isso e não consegue… a dica é ir pra terapia! Se a procrastinação é a ponta do iceberg, tem que procurar resolver o que está debaixo d’água.”

 


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