“Tenho medo de dentista!”

20 abr , 2018 Psicologia

“Há quase 240 anos no Brasil, lá pela década de 1780, a profissão de cirurgião dentista nem era conhecida por este nome e um personagem muito conhecido por todos nós, o Tiradentes, realizava a função deste profissional. Na época ele  não fazia muito mais que tentar suprimir a dor dos pacientes, arrancar dentes doentes e esculpir próteses utilizando marfim ou osso de canela de boi.  Seu instrumental era composto por dois fórceps, duas chaves de extração e uma espátula e atualmente encontra-se em exposição no Museu Histórico Nacional (RJ)”
 

 
 
 
 Mas e hoje, por que esse medo? Antigamente até fazia sentido, com aqueles métodos rústicos… Hoje temos um alto desenvolvimento tecnológico, os profissionais estão mais capacitados e instrumentalizados, existem métodos de redução de dor e ainda assim ir ao dentista é algo que se pudéssemos, não faríamos.
 
A odontofobia – que é o termo utilizado para designar o medo de ir ao dentista e realizar tratamentos dentários-  pode fazer com que o cuidado com a saúde bucal seja adiado gerando assim problemas maiores para as pessoas e sua saúde global. Parte desse medo tem ligação com a posição de impotência em que ficamos quando estamos no dentista. Ficamos deitados, cercados por objetos que não conhecemos, com a boca escancarada, não podemos nem ver o rosto que nos olha, os sons dos instrumentos são desconfortáveis, o cheiro, a luz… Não temos o controle de nada! Tudo parece compor um clima de alta tensão. E o ponto alto desse medo aparece na hora da anestesia ou quando ouvimos aquele motorzinho…  
 
Como vimos, ir ao dentista não é uma situação muito confortável para a maioria das pessoas e tal experiência é muito sofrida para uma parcela da sociedade. Esse receio chega a se transformar num imenso pavor podendo até desenvolver ataques de pânico ou até mesmo desmaios. Parte desse terror se associa a outros medos que o sujeito possa ter: sangue, agulhas, medo de sentir dor entre outro. Essas características acontecem quando o medo é muito intenso e atrapalha a vida de quem sente. Nesses casos recomendo o acompanhamento de um profissional da psicologia que possa identificar quais aspectos psicológicos compõem esse quadro fóbico pois  todas essas questões podem ser muito bem trabalhadas em terapia.  
 
Já ouviu falar na Odontologia Gentil? Ela é uma postura desenvolvida pelos dentista para fazer da ida ao consultório dentário uma experiência um pouco menos pavorosa. Tal postura refere-se ao  trato que o profissional deve ter com seu paciente baseado em uma comunicação afetiva. Se o seu dentista age empaticamente e explica todo o procedimento a ser realizado, com clareza e detalhes, bem como informa a você o nível real de dor que você pode vir a sentir, as chance de o seu desconforto diminuir ficam mais possíveis. Acredite: saber o que vai acontecer e ver no dentista alguém confiável ajudam muito neste momento. Às  vezes nos podemos achar que “quantos menos eu souber, melhor” mas neste caso isso só aumenta a ansiedade e dá asas a nossa fértil imaginação. Então seja você mais gentil com você mesmo: pergunte e estimule seu dentista a praticar a Odontologia Gentil!
 
 
 
 
Encontrei na revista Mente & Cérebro algumas dicas para te ajudar nesta hora tão difícil 😉 Vamos lá:
 
ESCOLHA O DENTISTA QUE “COMBINE” COM VOCÊ
É importante confiar no profissional, principalmente se você já teve alguma experiência desagradável em tratamentos odontológicos. E, se necessário, procure outro especialista com o qual se sinta mais à vontade.
 
DESCREVA SEUS MEDOS
Falar sobre como sente o problema às vezes é suficiente para aliviar a tensão. Hoje muitos dentistas estão preparados para lidar com ansiedades dos clientes; por isso, logo na primeira consulta é importante expor receios e inseguranças. Se não bastar, um psicólogo pode ajudar.
 
NÃO SINTA VERGONHA
Muitas pessoas ficam constrangidas e escondem seu medo de submeter-se ao tratamento odontológico. É importante saber que você não está sozinho: a odontofobia é um problema frequente, e os homens, em particular, ficam bem mais tranquilos quando admitem essa dificuldade e percebem que ter medo não diminui de forma alguma sua virilidade.
 
O QUE MAIS ASSUSTA
Muitas vezes o medo parece difuso, o que faz com que se torne maior e mobilize grande energia. Por isso, em muitos casos é útil discriminar esse sentimento, identificando o que provoca mais incômodo no tratamento: a injeção, o cheiro típico do consultório, o temor de sentir dor mesmo sob efeito da anestesia ou outro aspecto qualquer. 
 
LIVRE DE COMPROMISSOS
Para as pessoas que enfrentam grande desconforto com o tratamento, “espremer” a consulta entre um compromisso e outro pode ser ainda mais estressante. Em geral, marcar um horário quando estiver menos sobrecarregado ajuda a chegar ao consultório mais relaxado. Para algumas pessoas é preferível uma hora pela manhã, já que com o passar do dia as fantasias assustadoras tendem a aumentar. 

A INFORMAÇÃO PODE AJUDAR
Você pode pedir ao dentista que lhe explique cada passo do tratamento e combinar com ele um sinal para que interrompa a ação caso a dor fique muito forte; geralmente, o fato de sentir que tem a situação sob controle o ajuda a sentir-se mais seguro.

RELAXE ANTES
Não consuma alimentos ou bebidas excitantes, como café, chá-mate ou refrigerantes, pouco antes da consulta. É conveniente evitar estas substâncias também na noite anterior, já que a ideia é dormir bem e chegar ao consultório descansado. 

VISITAS MAIS FREQUENTES, MENOS PROBLEMAS
É recomendável fazer duas consultas de rotina por ano. Esta assiduidade, somada a uma higiene bucal correta com uso constante de fio dental e enxaguante, costuma reduzir a necessidade de intervenções mais invasivas – e, portanto, mais temíveis.

 
 
 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *