Vamos falar sobre máscaras?

26 maio , 2020 Psicologia

O uso de máscaras na atualidade é uma das grandes formas de autocuidado, proteção e respeito ao próximo; é uma maneira de diminuir o contágio e a transmissão  da COVID-19 além de reconfigurar a nossa maneira de estar no mundo. Usar máscaras como metáforas em psicologia não é nenhuma novidade e hoje eu vou falar exatamente sobre isso mas de um jeitinho diferente.

Viver usando máscaras pode ser uma estratégia de proteção emocional mas que cedo ou tarde nos sufocam e estouram em formas de : baixa estima, burnout, depressão, ansiedade entre outras experiências de sofrimento emocional e mental.

Se estamos triste e vamos encontrar alguém, podemos não querer deixar transparecer que estamos tristes… Máscara ok!

Se estamos completamente sem vontade de ir a um evento social mas por pressão do grupo resolvemos ir… Máscara ok!

Se estamos nos sentindo muito animados com uma conquistas mas temos receio de compartilhar e diminuir alguém que não está conseguindo se sentir realizado… Máscara ok!

E pra que a gente  adota esses papéis a serem desempenhados? Para que colocamos essas personagens em ação? O que nos permite aparecer na vida fingindo ser algo que não é a nossa verdade no momento?

As respostas amplamente conhecidas sobre isso costumam ser:

Medo de se expor;

Receio em desagradar ou

Vontade de agradar;

Fugir de julgamentos;

Evitar perguntas e interrogatórios;

Não ser compreendida.

E alguns outros que você conseguir pensar

Mas você quer saber o que nos permite fazer isso conosco? O nosso baixo nível de autoconhecimento e de respeito a nós mesmos. Sem autoconhecimento confundimos o papel desempenhado com a nossa verdade e aí nós mesmos começamos a nos julgar: “Nossa, eu to sem ânimo nenhum para ir ao rodízio e interagir mas… caramba! São meu amigos e eles são ótimo, por que eu me sinto assim, ein? E se eu não for eles podem ficar especulando sobre mim ou então deixar de me convidar nas próximas vezes. Não queria ir mas vou, né?!Que saco!”

Nos  perdemos nos motivos de agir assim e nos distanciamos da nossa própria razão para estar sentindo o que sentimos. Se o autoconhecimento está em dia, naturalmente a avaliação do nosso estado emocional flui e aí conseguimos pensar em maneiras possíveis de cuidar dessa tristeza, desse desânimo ou do abafamento de alegrias. E se não for plenamente possível, nos resta sermos quem somos, é o que tem pra hoje.

E o autocuidado em forma de respeito próprio também nos faria enxergar o quão injusto é ficar refém de uma aparência e passar por cima de nossa verdade para atuar conforme um falso sentimento. É muita falta de respeito se sufocar com uma mentira por dificuldade em lidar de maneira responsável com quem podemos ser naquele momento.

Sabe o caminho mais saudável para isso? A autenticidade.

Se você conseguir ser autêntica, todos os seus receios serão ajustados ao invés de te obrigar a usar máscara. Se o autoconhecimento está sendo exercitado, é natural que se dispense o uso de máscaras e passemos a viver a vida de uma maneira autêntica.

Se estamos triste e vamos encontrar alguém, podemos não querer deixar transparecer que estamos tristes. Vamos assumir o risco de dizer “Poxa amigo, eu estou muito triste e fico desconfortável em ir te ver assim” e dessa maneira você pode colocar o seu limite e dizer: ‘eu até vou mas não fica me perguntando que eu não tô no clima’ ou então deixar o seu amigo ser o que ele é, amigo: “Ah, vem assim  mesmo! Se você quiser, podemos conversar. Se não quiser, podemos nos distrair. Mas eu já tô avisado caso você apareça meio assim. Vlw por avisar” E olha só o que acontece depois: você pode ir COM a tristeza estampada na cara. UFA! Ela não será mais um impedimento e nem algo a ser escondido, consegue entender?

Essa postura vale para os outros exemplos que dei aqui e para as outras situações em que você estiver prestes a vestir máscaras. Procure ser mais justa com você e valorizar os seus sentimentos. Reconheça o que está sentindo ao invés de fugir, evitar ou dissimular. A autenticidade te autoriza a ser você e ainda possibilita relações mais leve. Aja com autoaceitação para poder ser aceita do jeitinho que você é! 🙂


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