Mitos e Verdades sobre o Suicídio

11 set , 2018 Setembro Amarelo

O Setembro Amarelo marca a intensificação de ações em prol da prevenção ao suicídio que pode ser definido como um ato deliberado executado pelo indivíduo contra si mesmo com a intenção de se matar, já o comportamento suicida é composto pelos pensamentos, planos e pela tentativa de suicídio em si.

O suicídio aparece como um meio de expressão, uma fala que não pôde ser dita e compreendida por outros caminhos, ele é o ultimo pedido de ajuda depois de uma série de sinais e comportamentos que já apontavam um quadro suicida. As tentativas de se matar são vistas como um grito por ajuda, como a forma que a pessoa encontrou de pedir socorro e neste post iremos aprender a identificar esse pedidos de ajuda, desmentindo alguns mitos que envolvem o assunto em questão.

O suicídio é um comportamento com determinantes multifatoriais e que resulta de uma complexa interação de fatores psicológicos e biológicos, inclusive genéticos, culturais e socioambientais. Dessa forma, deve ser considerado como o desfecho de uma série de fatores que se acumulam na história do indivíduo, não podendo ser considerado de forma causal e simplista , relacionado apenas a determinados acontecimentos pontuais da vida do sujeito.


MITO OU VERDADE?

  • Quem fala que vai se matar quer apenas chamar atenção?
  • O Suicídio é um tabu?
  • Falar publicamente sobre suicídio incentiva a prática?
  • Quando o indivíduo sobrevive a uma tentativa, está fora de perigo?
  • Perguntar se uma pessoa pensa em suicídio pode incentivá-la?
  • Quem vai se matar não dá sinais?
  • Só quem tem doença psiquiátrica se mata?

QUEM FALA QUE VAI SE MATAR QUER APENAS CHAMAR A ATENÇÃO

RESPOSTA: MITO

Antes é preciso diferenciar vontade de morrer e vontade de se matar. A vontade de morrer é um desejo passivo que inicialmente não leva a tentativa do suicídio; é um querer relacionado a ser acometido por uma doença ou de ser vítima de algum acidente, por exemplo. A vontade de se matar envolve o ato de considerar efetivamente tirar a própria vida sendo também o responsável por isso, vítima e algoz. Quem fala que vai se matar tem pensado em se matar. Não entenda como brincadeira, não ache que é falta do que fazer ou vontade de chamar a atenção. A maioria dos suicidas fala ou dá sinais de sua ideia de morte. Quem fala que vai se matar, está literalmente dizendo que tem pensado em se matar. Ouça!

O SUICÍDIO É UM TABU

RESPOSTA: VERDADE

Diversos fatores podem impedir a detecção precoce e, consequentemente, a prevenção do suicídio. O estigma e o tabu relacionados ao assunto são aspectos importantes. Durante séculos de nossa história, por razões religiosas, morais e culturais, o suicídio foi considerado como a pior da atitudes e por esta razão, ainda temos medo e vergonha de falar abertamente sobre esse importante problema de saúde pública. Um tabu, arraigado em nossa cultura por séculos, não irá desaparecer sem o esforço de todos nós.

FALAR PUBLICAMENTE SOBRE O SUICÍDIO INCENTIVA A PRÁTICA

RESPOSTA: MITO E VERDADE

Falar ética e responsavelmente sobre esse tema é fator de prevenção, é um dos principais mecanismos para alcançarmos a estatística apontada pelo OMS que nos diz que 9 de cada 10 casos de suicídio podem ser evitados. Quem pensa em se matar e está sofrendo precisar saber que existem outras alternativas para acabar com a razão do seu sofrer e precisa entender que morrer não é a solução. Uma fala responsável e adequada não aumentará o risco.

Por outro lado… se não houver cuidado ao tratar deste tema, a fala (que pode ser também um vídeo, um seriado, uma notícia) pode sim estimular a ocorrência de tentativas. O chamado Efeito Werther é um efeito de imitação que acontece logo após a divulgação de casos de suicídio, especialmente quando a pessoa que se mata é famosa.Pesquisas recentes mostram que pessoas que já tentaram suicídio têm o risco de uma nova tentativa aumentado em 47,6% com a exposição a um filme que retrata o ato.

QUANDO UM INDIVÍDUO SOBREVIVE A UMA TENTATIVA, ESTÁ FORA DE PERIGO

RESPOSTA: MITO

Se alguém já tentou, suas chances de morrer por suicídio aumentam consideravelmente e durante o primeiro ano que se segue a uma tentativa, o risco de reincidência é ainda maior. Portanto, se faz necessária a continuidade do acompanhamento psicológico e psiquiátrico, suporte de serviços de emergência e apoio familiar e social.

PERGUNTAR SE UMA PESSOA PENSA EM SUICÍDIO PODE INCENTIVÁ-LA

RESPOSTA: MITO

Muito pelo contrário, falar com alguém sobre o assunto pode aliviar a angústia e a tensão que esses pensamentos trazem. Se a pessoa já tem pensado em suicídio pode ter certeza que não será a sua pergunta ou a sua conversa que dará essa ideia a ela. Esse receio de incentivar o ato pode ser um medo seu de abordar o tema e não da pessoa que está precisando de ajuda. Se informe, procure saber como você pode ajudar.

QUEM VAI SE MATAR NÃO DÁ SINAIS

RESPOSTA: MITO

O nosso próximo post da série Setembro Amarelo  será inteiramente sobre esses sinais. Nos acompanhe!

SÓ QUEM TEM DOENÇA PSIQUIÁTRICA SE MATA

RESPOSTA: MITO

Muita gente acredita que apenas pessoas com desordens mentais cometem suicídios. Mas, segundo a OMS, vários suicídios ocorrem de forma impulsiva em momento de crise, com um colapso na capacidade de lidar com os estresses da vida – tais como problemas financeiros, términos de relacionamento ou dores crônicas e doenças. Portanto, podemos perceber que existem muitos fatores de risco que são comuns e estão presentes na vida da grande maioria das pessoas.

Para finalizar, irei listar alguns alguns fatores de risco que merecem atenção, destacados por especialistas:

  • Perda recente, como a morte de alguém próximo ou animal de estimação, fim de um relacionamento, separação dos pais
  • Transtorno mental, principalmente a depressão e dependência química
  • Doenças clínicas não psiquiátricas, principalmente câncer e AIDS
  • Uso de substâncias químicas, inclusive as lícitas
  • Conflitos de orientação sexual, principalmente em ambientes de pouca aceitação familiar ou social
  • Bullying, considerando não apenas quem sofre, mas os que testemunham ou praticam
  • Histórico de suicídio na família, assim como maus tratos e abuso
  • Acesso a meios letais, como armas de fogo, pesticidas e remédios

 

Com carinho,


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