O Suicídio e seus sinais: como identificar?

19 set , 2018 Setembro Amarelo

Incapazes de comunicar a própria dor, os suicidas recorrem a algumas fantasias para conseguir suportar a ideia de não existência e justificar a si mesmos a autodestruição, como a oportunidade de interromper uma existência infeliz, acelerar o reencontro com pessoas queridas já mortas, um gesto de vingança ou rebeldia, castigo, autopenitência, etc…

Estudos indicam que cerca de 90% dos casos podem ser evitados. Segundo a OMS, existe uma série de medidas que podem ser tomadas junto à população, como a redução de acesso aos meios utilizados, a identificação precoce, o tratamento e o cuidado profissional de pessoas com transtornos  mentais, dores crônicas e estresse emocional agudo.

Para identificar possíveis ideações suicidas, é importante estar atento aos seguintes sinais:

  • Assuntos pessoais em ordem: procuram as pessoas com as quais se desentenderam para fazer as pazes;
  • Despedidas: a pessoa procura aqueles que são importantes para se despedir. É comum buscar amigos de infância e que foram relevantes em algum momento de suas vidas;
  • Falas: “Preciso parar com essa dor”, “Queria estar morto”, “Não tenho mais saída”, “Não aguento mais”, “Essa vida não é para mim”, “Vocês estariam melhor sem mim”, dentre outras;
  • Vivências experimentadas como intoleráveis (não suportar); inescapáveis (sem saída); e intermináveis (sem fim);
  • Organização financeira: colocam sua contabilidade em dia, pagam dívidas e contas, normalmente para evitar que a família tenha problemas;
  • Desapego: se desfazem de suas posses, inclusive objetos de valor afetivo. É uma forma de fazer um testamento em vida;
  • Nostalgia e falta de planos: só falam do passado, relembram momentos felizes;
  • Melhora aparente: é comum ouvir depoimentos do tipo “Mas ela estava bem melhor”, em particular, nos casos ligados à depressão. O que ocorre é que de fato, quando a decisão já está tomada, o conflito se dilui e a pessoa parece estar bem;
  • Existe uma distorção da percepção de realidade com avaliação negativa de si mesmo, do mundo e do futuro
  • Há um medo irracional e uma preocupação excessiva. O passado e o presente reforçam seu sofrimento e o futuro é sombrio, sem perspectiva e com ausência de planos;
  • Ambivalência: O desejo de viver e de morrer se confundem no sujeito. Há urgência em sair da dor e do sofrimento com a morte, entretanto há o desejo de sobreviver a esta tormenta;
  • Rigidez: estas pessoas pensam rígida e dramaticamente pela distorção que o sofrimento emocional impõe. Todo o comportamento está inflexível quanto à sua decisão: a única saída possível que se apresenta é a morte e as ações estão direcionadas ao suicídio;
  • Outros: Falta de interesse pelo próprio bem-estar, declínio da produtividade no trabalho ou do sucesso escolar, alterações nos padrões de sono e de alimentação e preocupação com temas de morte e violência, etc.

O QUE FAZER?

​Uma medida importante é retirar acesso de ferramentas destrutivas dentro de casa (arma, remédios, substâncias tóxicas) para evitar o uso delas em um impulso, quando pensamentos autodestrutíveis possa parecer a única saída de uma situação de sofrimento intolerável.

Converse de forma direta e sem julgamentos, tente identificar se a ideia passa pela cabeça ou já avançou para o planejamento e, com delicadeza, ofereça ajuda e sugira procurar um psiquiatra para que ele possa ser medicado e receber o tratamento adequado.

Evite interromper a conversa, mostrar-se chocado, colocá-lo numa posição de inferioridade, fazer comentários invasivos, menosprezar a sua dor e encarar o problema como trivial

Por fim, e mais importante, ouça. Muitas vezes, ter com quem conversar é o que eles mais precisam. Seja generoso/a e evite dar opiniões. A dor do outro nós nunca conseguimos alcançar.

Com carinho,


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