Suicídio: como posso prevenir, como devo agir?

24 set , 2018 Setembro Amarelo

Reconhecer alguém em sofrimento e que precisa de ajuda normalmente não é o problema mas saber como reagir e responder frente à eles é muito mais difícil. Neste post traremos recomendações de como prevenir o suicídio e dicas de como agir em casos de tentativa. Fique atento/a!

PROMOVER A COMUNICAÇÃO E A EXPRESSÃO EMOCIONAL

Na maioria dos casos, as pessoas que estão sofrendo e/ou com risco de comportamento suicida possuem problemas de comunicação e como já vimos nessa sequência de posts, a pessoa se sente como se estivesse afogada nas próprias emoções e não consegue aproveitar os vínculos sociais que possui para partilhar seus sentimentos. O suicídio, então, torna-se um meio de expressão, uma fala que não pôde ser dita e as tentativas de se matar são vistas como um grito por ajuda, como a forma que a pessoa encontrou de pedir socorro.

Consequentemente, é importante estabelecer um diálogo com a pessoa que está sofrendo e/ou com riscos de suicídio. O primeiro passo na prevenção do suicídio é estabelecer uma comunicação com confiança, pois poder falar sobre os sentimentos é algo libertador para quem está sofrendo. As pessoas, ainda hoje, precisam ser ensinadas a levarem seus próprios sentimentos a sério. Confiar em alguém a ponto de sentir que pode se abrir, é um passo para organizar os sentimentos, perceber os conflitos e conseguir ajuda.

Ao promover a comunicação, aquele sofre se sentirá menos sozinho e para isso a escuta precisa ser empática, sem julgamento e sem direcionar ações dizendo o que fazer ou como a pessoa deve agir. Escute e acolha os sentimentos, deixe quem sofre falar. Ouça com respeito, amor e interesse.

REMOVER OS MEIOS

É fundamental tirar do alcance todo e qualquer objeto que possa ser meio para um ato suicida. Aqui, é preciso antecipar os movimentos e pensar como alguém que sofre: “se eu quisesse me matar, o que neste ambiente poderia ser um meio de conseguir?”, ao se fazer essa pergunta você poderá identificar objetos, remédios, pesticidas e etc.

Atenção redobrada com os medicamentos perigosos, armas de fogo, explosivos, facas, cordas… tanto dentro da casa como em outros locais que a pessoa possa vir a frequentar. Essas são importantes medidas para se preservar a vida que sozinhas não são suficientes para prevenir o suicídio em longo prazo. Por isso, o apoio psicológico deve ser oferecido ao mesmo tempo, mas tais medidas já dificultam o ato num momento de impulso.

ENCAMINHAR PARA PROFISSIONAIS

Ao perceber que alguém está passando por intenso sofrimento é necessário uma imediata, autoritária e decisiva intervenção, como levar a pessoa ao psicólogo, psiquiatra ou à emergência de um hospital, em casos de tentativa. Isso pode salvar uma vida. Ao encaminhar para um profissional especializado, será feita avaliação e o acompanhamento.

Recomende que a pessoa procure um profissional da saúde e verifique com ela se o agendamento foi realizado, se a pessoa foi à consulta e, se possível, disponibilize-se para ir com a pessoa pelo menos na primeira vez. Toda a escuta, carinho e apoio que você possa ofertar são fundamentais mas não darão conta de toda a situação. Um trabalho especializado fará toda a diferença e suprirá os limites de um ouvido amigo, por exemplo. Em caso de emergência, providencie uma ambulância e encaminhe pessoalmente a pessoa ao pronto-socorro psiquiátrico.

COMO ABORDAR

O tema deve ser abordado com cautela, de maneira gradual, mas é necessário perguntar se o indivíduo tem intenções de se ferir ou de se matar. Por exemplo:

  • Você tem planos para o futuro? A resposta com risco de suicídio é não
  • Você acha que a vida vale a pena ser vivida? A resposta com risco de suicídio novamente é não
  • Se a morte viesse, ela seria bem-vinda? Desta vez a resposta será sim para aqueles que querem morrer

Se a pessoa respondeu como foi referido acima, o risco de suicídio existe e outras três perguntas podem ser feitas:

  • Você está pensando em se machucar/se ferir/fazer mal a você/em morrer?
  • Você tem algum plano específico para morrer/se matar/tirar sua vida?
  • Você fez alguma tentativa de suicídio recentemente?

A pessoa que pensa em se matar ou que tenha tentado alguma vez tirar a própria vida não é covarde ou corajosa, ela estava desesperada para se livrar da agonia, do vazio e da dor. Façamos a nossa parte.

Existem alguns fatores de proteção que contribuem para que o indivíduo não desenvolva a ideação suicida. São eles:

  • Bom suporte familiar
  • Laços sociais bem estabelecidos com família e amigos
  • Ausência de doença mental
  • Estar empregado
  • Capacidade de adaptação positiva
  • Capacidade de resolução de problemas
  • Acesso a serviços e cuidados de saúde mental
  • Religiosidade, independente da afiliação

Este é o último post da nossa série sobre o Setembro Amarelo, o primeiro você pode conferir aqui e o segundo aqui. Espero ter contribuído com Setembro Amarelo para que tenhamos Saúde Mental de Janeiro à Janeiro. Viver é a melhor opção, não se esqueça!

Com carinho,


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