Desistências no Ensino Superior

1 ago , 2018 Orientação Profissional

Você abriria mão de uma escolha feita  caso ela não se confirmasse como uma decisão acertada? Como seria perceber que hoje não tem mais condições de sustentar a escolha feita um dia? Conseguiria desistir de algum relacionamento se percebesse que vocês dois não dariam certo nem teriam um bom futuro juntos? E se esse relacionamento fosse entre você e a escolha universitária?

Pela primeira vez em 81 anos de fundação, o INEP fez um levantamento acerca da trajetória universitária. Nesse estudo constatou que metade de todos os estudantes de nível superior que começaram uma faculdade em 2010, desistiram.

Se você tivesse entrado na faculdade de Direito em 2010, certamente estaria formado hoje; se tivesse escolhido Arquitetura, também já teria o seu diploma e estaria elaborando projetos por aí; se tivesse escolhido Ciências Contábeis em 2010, hoje você também estaria atuando em algum escritório de contabilidade ou empresas de um modo geral. Os então estudantes de 2010, hoje, 2018, seriam advogado/a, arquiteto/a ou contador/a. Todos formados e – com sorte – empregados, a não ser que  tivessem desistido.

A não ser que logo no primeiro ano da faculdade de Direito – além da grade ser introdutória e exaustivamente teórica- você descobrisse que para ser um bom profissional você deve ter a habilidade de interpretar a lei e não de memorizá-la. Logo você que por ter uma mega facilidade de memorizar frases e longas sentenças – mesmo que não saiba explicar muito bem o que elas querem dizer- achou que esse seria um fator determinante para ser um advogado de sucesso.

A não ser que no meio da faculdade de Arquitetura você ficasse sem condições de pagar pela faculdade ou de se sustentar nela; seja por emprego sub-remunerado, seja por desemprego ou por sobrecarga de responsabilidades financeiras. Logo você, uma pessoa meticulosa, que tem tudo bem planejado e não aceita que as coisas aconteçam fora do seu planejamento.Imprevistos não existem para você e a entrada na universidade foi bastante programada por você.

A não ser que quando você conseguiu um estágio na área tributária e enfim colocou a mão na massa, podendo então experimentar na prática tudo aquilo que você já está há tempos estudando, tenha descoberto que não tem a menor afinidade com a área, não leva o menor jeito e nem quer estar ali. Logo você que, por conta desse estágio em contabilidade tem todas as contas pagas mas não tem a  menor vontade de ir trabalhar e essa apatia está se alastrando pelas outras áreas da sua vida fazendo com que você perca o interesse nos seus hobbies mais prazerosos.

 

Apenas 34% daqueles que ingressaram na universidade em 2010, concluíram. Estamos falando de  1.392.586 estudantes que desistiram. Um milhão, trezentos e noventa e duas mil e quinhentos e oitenta e seis pessoas. Quase que não consigo por no extenso esse monte de gente! Seja nas instituições públicas ou particulares, o índice é muito alto do meu ponto de vista.

Enquanto Orientadora Profissional, o meu ponto de vista é o da realização, satisfação e remuneração. O índice é muito alto, pois o que eu vejo são oportunidades desperdiçadas, energias investidas visando um objetivo que não foi alcançado; vejo tempo utilizado indevidamente que, infelizmente, tem toda potência de gerar frustração, desmotivação, culpa, desinteresse e apatia.Principalmente na soociedade em que vivemos cujos valores são individualismo, competição, desempenho, consumo e aparência.

O erro pode estar na escolha, na instituição de ensino que pode ser mal gerida, na sociedade que impõe um escolha profissional aos 16, 17 e 18 anos, no modelo educacional que está defasado… enfim! O erro pode ser localizado, o que aqueles poucos 34% tem a nos ensinar?

Para prevenir, sabemos que o Processo de Orientação Profissional é o caminho indicado e que mesmo assim é pouco utilizado pelos estudantes de ensino médio ou candidatos ao ensino superior pois penas 8% destes passam por um programa de orientação profissional.

 

 

Vou listar algumas causas desse abandono. Veja:

– educação básica (escola) de baixa qualidade

-prematuridade com qual se espera que o estudante escolha corretamente

-complicações psicológicas que encontram na realidade universitária seu estopim

– despreparo para a entrada na universidade

-a crise sócio-política e econômica que se configurou no Brasil gerando dificuldades financeiras

– o modelo de ensino superior ter a mesma base que o modelo de ensino praticado nas escolas que é o mesmo desde… sempre.  A escola de hoje é muito semelhante a da sua bisavó, por exemplo.

Você imagina quais os cursos foram os que contaram com maior número de desistentes?

Em primeiro lugar está o curso de Administração seguido por direito, engenharia, pedagogia e ciências contábeis. Esses são também os cursos que mais tiveram ingressantes em 2010. Curioso não, acha?No caso do curso de ADM, que ocupa o primeiro lugar de abandono: qual é o mito que ronda a pessoa que escolhe fazer Administração? Essa faculdade não é tida como o curso de quem não sabe o que quer? Faça sua correlação e reflita…  (Isso é assunto para outro post! Vou finalizar esse pois já está ficando grande rs)

O que é sucesso para você que me lê?Terminar a faculdade independentemente da sua afeição pela carreira? Você prefere garantir um futuro mesmo que este não te motive, ou ficar um tempo sem saber por estar buscando algo que te traga realização? Trocar e refazer um escolha feita outrora é difícil para você?

Como você lida com as escolhas que descobre só depois, que foram escolhas erradas? Você sabe consertar as coisas? Consegue corrigir posturas e decisões de um modo maduro?

Fere o seu orgulho reconhecer que não tomou a melhor decisão e terá que abandoná-la ou você é uma pessoa mais flexível que vai sentir a frustração -por ter que abrir mão de um investimento e abrir mão de uma idealização que não foi confirmada- mas que também consegue se recolocar de modo saudável e funcional?

Desistir de algo –seja por que te faz mal, por não conseguir mais sustentar a escolha ou por não ser mais a pessoa que fez aquela escolha – não precisa ser um fardo na sua vida. Eu repito: desistir de algo não precisa ser um fardo, um atestado incompetência, uma derrota. Não precisa te deixar numa situação de quem não tem mais escolhas, de quem perdeu tempo e cuja melhor alternativa é deixar tudo para lá e viver se depreciando. E isso vale  para qualquer escolha, preste atenção.

Renunciar a determinado caminho pode ser o descanso necessário para que você renove suas forças, encontre o SEU caminho e persista nele. Desistir não é voltar a estaca zero; desistir pode ser continuar só que numa nova e diferente estrada. Num caminho melhor, mais adequado e que foi conscientemente escolhido e traçado por você.  Se for necessário, não dispense o suporte profissional que a Psicologia tem a oferecer para auxilia-lo/a. Defina você o seu alvo, mire bem no meio dele e vá!

Desejo que tenha uma boa – sua- nova caminhada.

Com carinho,


2 Responses

  1. Marcos disse:

    Ótimo trabalho!
    Após perder muito tempo na internet encontrei esse blog
    que tinha o que tanto procurava.
    Parabéns pelo texto e conteúdo, temos que ter mais
    artigos deste tipo na internet.
    Gostei muito.
    Meu muito obrigado!!!

    • Williane Lima disse:

      Olá Marcos! Fico grata pelos elogios e que bom que você teve o faro certo para encontrar conteúdo de qualidade na internet! Desejo sucesso na sua trajetória, Abraços

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